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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Presidente do Conselho de Ética dorme enquanto relator lê parecer




BRASÍLIA - Sentado à mesa do Conselho de Ética da Câmara, o presidente do órgão, José Carlos Araújo (PR-BA), dormia profundamente, na tarde desta terça-feira, enquanto o deputado Odorico Monteiro (PROS-CE) lia o seu parecer, no qual votou pela admissibilidade do processo contra Jair Bolsonaro (PSC-RJ), acusado de fazer apologia à tortura.

Na votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, em 17 de abril, Bolsonaro elogiou o torturador Carlos Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974 e responsável por dezenas de mortes, torturas e desaparecimentos durante o regime militar, e disse que ele era "o pavor de Dilma Rousseff". A representação foi apresentada pelo Partido Verde, e aberta pelo Conselho no fim de junho.

O Conselho analisou, também nesta tarde, representação do PT contra o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que disse, em uma reunião do colegiado, que "99,99% dos petistas são bandidos da pior periculosidade" e chamou o PT de "quadrilha". Para o relator Subtenente Gonzaga (PDT-MG), apesar das declarações, o representado "não extrapolou os direitos inerentes ao mandato, atuando, assim, conforme as prerrogativas que possui", disse. O deputado disse que não houve justa causa e votou pelo arquivamento do processo contra Costa.

A reunião não durou nem duas horas, interrompida pela abertura da ordem do dia no plenário da Casa, mas o cansaço de Araújo era evidente. Ao ser fotografado pelo GLOBO tirando uma soneca, assessores avisaram ao deputado, que se manteve acordado na última meia-hora da sessão.

Com a sessão já encerrada, Jair Bolsonaro disse não estar "nem um pouco preocupado" com o processo que enfrenta no Conselho de Ética. Ele "acusou" o relator de ser petista — ele era do PT até março deste ano — e repetiu seu principal argumento de defesa, invocando imunidade parlamentar.

— Não estou nem um pouco preocupado. Da tribuna da Câmara posso falar as palavras que eu bem entender. O relator era petista e vai continuar petista — afirmou Bolsonaro.

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