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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

PMDB deve subscrever ação contra fatiamento da pena de Dilma

BRASÍLIA — Em seu primeiro dia como presidente efetivo do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou ao GLOBO que seu partido está disposto a subscrever o recurso que o PSDB apresentará nesta sexta-feira junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando o fatiamento da pena da ex-presidente Dilma Rousseff.

— Eu disse ao Aécio (Neves) que, se ele entender que vai ser uma ação coletiva, o PMDB também assinará o pedido — afirmou.

O senador ponderou, entretanto, que não se trata de uma ação de governo, mas partidária. Na quarta-feira, o presidente Michel Temer, pouco após a conclusão do processo de impeachment, sinalizou a Aécio Neves, presidente do PSDB, que seria solidário a qualquer iniciativa dos tucanos para contestar a decisão do Senado de não inabilitar Dilma para exercício de cargos públicos ou disputas eleitorais.

— Não é coisa do governo, é do partido. Isto é uma discussão congressual — pontuou Jucá.

Até a manhã desta quinta-feira, ainda havia dúvidas no PSDB sobre o momento para interpor a ação. Havia um temor de que, ao contestar parte da decisão tomada pelo Senado no julgamento de Dilma Rousseff, isto abrisse margem para que todo o processo passasse a ser contestado.

Mas, como a defesa de Dilma já entrou no Supremo nesta quinta-feira, contra a cassação do mandato da petista, a cúpula do PSDB ponderou que seria melhor firmar uma posição desde já. O DEM, também partido da base aliada de Michel Temer, irá subscrever a ação junto ao PSDB. O PPS também anunciou apoio.

CAIADO RECEBE TELEFONEMA DE AÉCIO

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), informou que o partido também vai subscrever o recurso junto ao STF com o PSDB. Caiado, que foi o primeiro a defender que os partidos entrassem no Supremo, reagiu com ironia ao fato de o PSDB não ter lhe avisado da mudança de posição antes de fazer o anúncio.

— Fim da novela. Depois do quebra-cabeça dos juristas, prevaleceu a tese do médico — disse Caiado, que é medico.

Caiado recebeu um telefonema do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), comunicando da decisão, depois de o líder do DEM ter dado uma coletiva ainda sem saber da mudança de postura.

Já o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), chamou a decisão do Senado de manter os direitos de Dilma de "Constituição criativa" e de "bizarra", como afirmou o ministro do STF Gilmar Mendes. Ele reiterou que o PSDB recebeu pressão dos eleitores para tomar uma posição e ingressar na Justiça.

— Tivemos muita pressão de redes sociais. Tudo foi feito tudo às escondidas. É bizarra, é a Constituição criativa — Cunha Lima.

O tucano disse que conversará com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na volta de sua viagem à China sobre o episódio.


— É algo que vamos superar, mas não é algo que nos deixe feliz. Não se faz política com bola nas costas — disse Cunha Lima.

Ele disse que o discurso de Temer não foi para o PSDB quando disse que quem quiser sair da base que saia.

— Não foi para o PSDB. Demos uma contribuição extremamente importante. O que queremos é lealdade na ação. Novas bases para esta relação — avisou o tucano.

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