cv

cv

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Vídeos mostram jovem com assessor de Feliciano em hotel no Centro de SP

Vídeos de segurança de um hotel mudaram a investigação envolvendo uma jornalista e o chefe de gabinete do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Segundo a Polícia Civil, as imagens derrubam a versão de Patrícia Lelis de que foi feita refém por Talma Bauer, assessor do parlamentar, entre o fim de julho e o começo deste mês (assista a algumas imagens do circuito interno acima).

Em Brasília, Lélis acusa Feliciano de tentar estuprá-la e, depois, de tentar comprar seu silêncio.

Em São Paulo, a acusação era a de que Bauer ameaçou a jovem de 22 anos e a manteve em cárcere privado em um quarto do Hotel San Rafael, no Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, para obrigá-la a recuar na denúncia de estupro que fez contra o deputado, supostamente ocorrida em 15 de junho.

Por ter foro privilegiado, a polícia paulista não investiga Feliciano. Com isso, a veracidade ou não das acusações de assédio não foi e nem será questionada pelos policiais de São Paulo, que apuram apenas as ameaças e o cárcere privado relatadas pela jornalista na capital paulista.Patrícia também esteve nesta semana no Senado para falar sobre a acusação de abuso sexual. O deputado nega as acusações.

O G1 não localizou a jornalista ou a defesa dela para comentar a mudança nas investigações com os vídeos encontrados pela polícia no hotel onde ela ficou hospedada em São Paulo.

O primeiro vídeo, registrado no fim da tarde de 30 de julho, mostra Bauer, o assessor de Feliciano, e a jovem no lobby do hotel. Eles se abraçam na recepção. Nas outras imagens, feitas em 4 de agosto, a jornalista aparece abraçada a um amigo no sofá na área comum do estabelecimento. Ao lado deles está o assessor de Feliciano falando ao celular.

Com base nesses vídeos e em áudios entregues à polícia, o delegado Luís Roberto Hellmeister disse na quarta-feira (10) que vai investigar se a jornalista cometeu falsa comunicação de crime e extorsão. Na sexta (5), Patrícia foi a uma delegacia no Centro de São Paulo e registrou boletim de ocorrência contra Bauer. Na segunda-feira (8), o delegado já havia descartado a hipótese de que a jornalista havia sido mantida refém no hotel com base nas imagens.

Após analisar as imagens e áudios sobre o caso, o delegado passou a duvidar também da conduta da jornalista. "Ela passa a ser investigada. Ela mentiu para burro aqui", afirmou.

Segundo o policial, antes do encontro no hotel onde supostamente foi vítima de Bauer, Patrícia foi ao shopping fazer maquiagem e compras e foi para a Avenida Paulista passear com o namorado. Ele também recebeu fotos da jornalista em uma churrascaria com Bauer, aparentemente conversando com o chefe de gabinete de Feliciano.

Liberado
Bauer foi detido na sexta-feira (5) e liberado horas depois. Ao sair da delegacia, em entrevista à TV Globo, o assessor disse que tinha ido prestar esclarecimentos "sobre uma menina que veio fazer uma falsa comunicação de fatos". "Isso me parece que é uma perseguição política. As esquerdas estão aí, querendo derrubar todo mundo, mas nós estamos firmes, com Jesus venceremos", disse Bauer.

Em depoimento à Polícia Civil, Patrícia disse que durante a semana que permaneceu no hotel em São Paulo, Talma Bauer foi a seu encontro algumas vezes e, com uma arma na cintura, teria dito que se ela não voltasse atrás nas denúncias sobre o deputado Feliciano, poderia ocorrer um "mal maior" com ela.

Após a denúncia feita pela jornalista, o delegado Luiz Roberto Hellmeister chegou a dizer que iria pedir a prisão de Talma por sequestro, coação e ameaça (assista abaixo ao vídeo com entrevista do delegado).

Por volta das 23h30 da sexta, um investigador da polícia encontrou o amigo de Patrícia, que estava no hotel onde teria acontecido a ameaça. O rapaz foi levado para a delegacia e contou outra história para o delegado: Patrícia, segundo ele, recebeu R$ 20 mil para gravar um vídeo na internet desmentindo que Feliciano teria tentado estuprá-la.

Hellmeister apreendeu um tablet dessa nova testemunha, com um vídeo que o amigo fez das negociações para a gravação do vídeo. Tanto Bauer quanto Patrícia negaram o envolvimento com o dinheiro.

Diante dessa testemunha e do vídeo, o delegado achou que a ameaça de morte não estava configurada e liberou Bauer. "Eu fiquei espontaneamente até agora para poder ser ouvido sem pressa. Não estive preso, não tem crime nenhum", disse o assessor.

No mesmo boletim, Patrícia registrou que Feliciano tentou estuprá-la no apartamento funcional dele em Brasília, em junho, e que foi agredida com um soco na boca e um chute na perna.

No sábado, Feliciano publicou na internet um vídeo em que diz que a militante do PSC fez falsa comunicação sobre o assédio. Ele acrescentou que perdoa Patrícia Lélis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário