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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Rafaela Silva: 'Agora, a notícia não é preto assaltando e sim dando alegria'


A judoca Rafaela Silva tem aproveitado os holofotes após a conquista da medalha de ouro na Rio-2016 para fomentar o debate acerca de questões raciais. O tema tem um significado especial para ela, que foi vítima de preconceito depois de sua eliminação em Londres-2012.

- Não é sempre que temos uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho. Geralmente, quando sai uma matéria, é para dizer que um preto assaltou alguém, e agora a notícia não é um preto que está assaltando e sim dando alegria para o nosso povo - criticou a atleta.

Da Cidade de Deus para o mundo: Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro Foto: Markus Schreiber / AP



Quando foi desclassificada em Londres, Rafaela pensou em desistir da carreira no judô. Mas buscou forças e hoje quer servir de exemplo para jovens com o sonho olímpico.

- A pessoa que foi xingada em Londres, se tivesse desistido, não traria uma medalha de ouro. Estou aqui para lembrar que a macaca que deveria estar na jaula em 2012, hoje é medalhista - disse a judoca, repetindo a frase dita logo ao fim da luta.

Apesar de garantir nunca ter sofrido preconceito no judô por ser mulher, Rafaela também quer que a sua conquista dê a elas o merecido destaque:

- Vamos aproveitar, ficamos muito tempo esquecidas.

Rafaela Silva, Luislinda Valois e Aranha Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira, Rafaela foi uma das convidadas da secretária de promoção de políticas sociais, Luislinda Valois, em uma entrevista sobre igualdade racial no esporte. O goleiro Aranha, da Ponte Preta, também participou da conversa. Em 2014, quando jogava pelo Santos, ele foi chamado de “macaco” pela torcida do Grêmio durante uma partida da Copa do Brasil.

- Não existe racismo no esporte ou racismo institucional. Racismo é racismo - afirmou Aranha.

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