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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Homem que obrigava mulheres a se prostituir era procurado em São Paulo

Policiais da Delegacia de Araraquara, no interior de São Paulo, contataram a polícia baiana nesta quarta-feira (17) para informar que uma adolescente da cidade também foi vítima de Dário Andrade Salomão, 27 anos. O homem foi preso nesta segunda-feira (15) acusado de estuprar, chantagear e obrigar mulheres a se prostituir. Ele atraía as vítimas com falsas promessas de emprego.

A adolescente contou aos investigadores que conheceu o homem através do facebook. A idade dela não foi divulgada. Segundo a titular da 16ª Delegacia (Pituba), Maria Selma Lima, responsável pela investigação do caso, Dario usou uma página falsa para se aproximar da vítima. 



Dario Salomão, 27, durante apresentação na sede da Polícia Civil
(Foto: Evandro Veiga/ CORREIO)



"Ele criou uma página com o nome de uma mulher. A tática foi similar a que ele usou aqui. Inventou uma proposta de emprego e convenceu a vítima a mandar fotos de lingerie pela internet. Depois, usou o material para chantagear a adolescente", contou a delegada.

A jovem contou para a mãe o que aconteceu e as duas mulheres procuraram a delegacia para registrar a queixa. A repercussão do caso na Bahia atraiu a atenção dos investigadores em São Paulo. "A delegada de Araraquara já tinha pedido a prisão dele, mas estava apenas com o prenome. Agora, ela tem a ficha completa e vamos anexar ao processo", afirmou Maria Selma.


Vítimas eram enganadas
Para cometer o crime, Dario publicava anúncios de emprego como balconistas ou atendentes para trabalhar em loja em um site. Depois, ele levava as candidatas à vaga até a vitrine de uma loja de lingerie no Itaigara, para simular que ali seria o local do emprego. Lá, uma mulher se apresentava como funcionária da loja e sugeria que a candidata fosse modelo e usasse as peças.


Em seguida, Dario levava a vítima para um hotel no centro da cidade, onde fazia a sessão de fotos dela usando a lingerie. Já com o registro das fotos, o suspeito batia na candidata e a estuprava, além de filmar o ato.


Ela usava o vídeo para ameaçar as mulheres e forçá-las a se prostituir. A maioria das vítimas eram adolescentes, entre 14 e 15 anos. Dario foi preso em casa, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Ele foi autuado por estupro e rufianismo (favorecimento de prostituição ou outra forma de exploração sexual). 


Denúncia
Segundo a polícia, até o momento, apenas uma vítima registrou queixa na 16ª Delegacia, que deu início às investigações em junho deste ano. No entanto, no depoimento, ela relata que outras mulheres foram vítimas da mesma situação. Algumas vítimas foram ouvidas informalmente e confirmaram a versão. 


De acordo com a delegada Maria Selma, a jovem de 18 anos, que fez a primeira denúncia, teria se recusado a continuar trabalhando como prostituta e procurou a polícia depois que foi ameaçada de morte. Dário pediu R$ 7 mil à jovem para cessar as ameaças de morte à família dela. “O pai dela pegou um empréstimo e deu R$ 5 mil, ainda assim as ameaças continuaram”, informou a delegada.


O advogado da família, Ademir Sampaio, contou que tentou ajudar a cliente. “A jovem passou mais de 10 dias em minha casa porque um homem com um moto e um carro de cor escura passavam constantemente em frente à casa da família. Até hoje, o pai dela vende rifa para pagar o empréstimo”, disse.


Apresentado à imprensa, na sede da Polícia Civil, na Piedade, Dário se manteve calado na maior parte do tempo. A exceção foi quando questionado sobre os estupros. “Manda a delegada mandar os vídeos para vocês para ver se teve estupro”, disse o acusado, negando o ato criminoso.

A polícia encontrou no celular de Dário mais de 40 pastas com fotos e vídeos de mulheres diferentes, em que o acusado mantém relações sexuais com as jovens.

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