cv

cv

sábado, 16 de janeiro de 2016

MP investiga clínica após 13 pessoas perderem a visão de um olho



Regina Paulina Barros Andreoli, 62 anos, passou por uma cirurgia para remover a catarata que prejudicava a visão do olho direito. Ao retirar o curativo, foi surpreendida ao não enxergar nada. A atendente de serviço social, no entanto, não foi a única. No mesmo 20 de maio de 2015, pelo menos outras 12 pessoas, entre as cerca de 60 que passaram pelo mesmo procedimento no Instituto de Oftalmologia de Encantado, no Vale do Taquari, perderam a visão de um dos olhos. O caso motivou uma investigação pelo Ministério Público, além de um inquérito policial em fase inicial.

— A ironia mais cruel é que venci dois cânceres e, quando entrei numa sala de cirurgia para resolver um problema quase banal, saí de lá sem (a visão) um órgão vital — compara Regina. — Vou até o fim para conseguir justiça.

Passados quase oito meses da cirurgia, a moradora de Estrela não tem perspectiva nenhuma de recuperar a visão do olho direito. Mesmo após três novos procedimentos cirúrgicos, a pálpebra continua caída, a íris, antes castanha, ficou de cor azul-acinzentada e a dor e o ressecamento a obrigam a pingar colírio constantemente.

Os sintomas, que pouco variam de um paciente para o outro, foram causados pela infecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa. A informação foi fornecida pela clínica à Secretaria Estadual de Saúde (SES). Após inspeção, em dezembro, a Vigilância Sanitária concluiu que "houve falhas nos processos de trabalho e esterilização de materiais, havendo descumprimento da legislação sanitária" e interditou parcialmente a clínica. Com 100% dos atendimentos oferecidos via Sistema Único de Saúde (SUS), garantidos por um consórcio público de 37 municípios do Vale do Taquari, a clínica não pode realizar nenhuma cirurgia até março.

O responsável técnico pelo instituto e sócio-proprietário da empresa, Lair José Hüning, não foi localizado por ZH. Em contato com a clínica, a recepção informou que a posição oficial é de que ninguém vai se pronunciar. Já o consórcio diz que formou uma comissão para acompanhar o caso e tomar possíveis medidas. Em nota, ressaltou que a situação foi "pontual", pois ocorreu em apenas um dia e com parte dos pacientes atendidos.

Responsável pelo inquérito civil, aberto em outubro, a promotora Daniela Pires Schwab reuniu, após uma denúncia no MP de Lajeado, um total de 13 relatos de pessoas que perderam a visão em um dos olhos. Segundo informações do próprio instituto à Promotoria, 17 pessoas que fizeram cirurgia naquele mesmo dia teriam apresentado sequelas, mas nem todas teriam a mesma gravidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário