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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Menores, protestos reúnem 83 mil em todo o Brasil.

BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO — Os primeiros protestos depois do início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, realizados no domingo em pelo menos 87 cidades de todos os estados e no Distrito Federal, não tiveram a mesma força dos anteriores. Nos municípios onde houve divulgação dos números pela PM, o total foi de 83 mil manifestantes. Os atos anteriores, realizados no dia 16 de agosto, atraíram 879 mil. Os próprios organizadores admitiram que a adesão foi mais baixa, mas consideraram o balanço positivo pelo pouco tempo que tiveram para a convocação. Os protestos também foram avaliados pelos líderes como uma espécie de “esquenta” para o ano que vem.

Na capital paulista, a PM chegou a afirmar que não faria estimativa, mas, no início da noite, divulgou um cálculo de 30 mil pessoas na passeata pela principal avenida da cidade. O protesto anterior havia reunido 350 mil. Com bom humor, um dos destaques foi o boneco inflável do “Super Moro”, referência ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato, vendido por R$ 10. Um pato inflável gigante, da campanha pela redução de impostos, também chamou a atenção em frente ao prédio da Fiesp.

BRASÍLIA: 6 MIL MANIFESTANTES

Em Brasília, pelos cálculos da PM foram seis mil manifestantes. Em agosto, haviam sido 30 mil pessoas. A maioria pediu o impeachment, mas alguns chegaram a defender a intervenção militar. Durante o protesto, os manifestantes levaram um caixão com uma caricatura de Dilma, que acabou sendo queimado, para simbolizar o enterro do PT, e inflaram um boneco gigante da presidente.

O coordenador do Movimento Vem Pra Rua na capital federal, Jailton Almeida, avaliou o protesto como positivo devido ao pouco tempo de preparação para o ato. Ele afirmou que novas manifestações ocorrerão no próximo ano para pressionar o Congresso a aprovar o impeachment de Dilma. O grupo estimou em 15 mil o número de presentes no ato em Brasília:

— Foi um dia muito especial, um dia muito bom. A população correspondeu. Nós tivemos muito pouco tempo. Foi só uma semana desde que o pedido de impeachment foi deferido até hoje.

Com um homem fantasiado de Batman à frente, a passeata no Rio percorreu a orla de Copacabana durante a tarde. A PM não divulgou estimativa de manifestantes. Os organizadores falaram em 20 mil pessoas. Uma grande bandeira verde e amarela foi estendida com a expressão “impeachment já”. Acima de um dos três carros de som, o humorista Marcelo Madureira liderou o ato. Ele chamou Lula de sociopata e alertou que “o pior está por vir”, para aplausos do público.

A passeata saiu do Posto 5, às 13h30m, em direção ao Copacabana Palace. Uma hora depois, um princípio de tumulto foi provocado pela chegada de um grupo de jovens skatistas, que foi confundido com petistas e hostilizado. Eles reagiram gritando “coxinhas” e “fora burguesia”. Mas soldados da PM intercederam e evitaram o confronto. Um dos policiais chegou a apontar uma arma de bala de borracha para os skatistas.


No Rio, os manifestantes pró-impeachment se reuniram em CopacabanaFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Bandeira gigante no protesto foi estentida na Avenida AtlânticaFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Alguns manifestantes usaram máscaras...Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Protesto em Copacabana teve momentos de tensão quando skatistas chegaram ao local, e um policial apontou a arma de bala de borracha para o grupoFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo

O ato acontece num dia de muito calor na capital fluminenseFoto: Pablo Jacob / Agência O Globo

... outros foram protestar na faixa de areiaFoto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

Grupo de manifestantes pró-impeachment se reuniu próximo ao Congresso Nacional em Brasília Foto: ANDRÉ COELHO / Agência O Globo

A maioria estava vestida com as cores da bandeira brasileiraFoto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Um grupo levou um caixão coberto com a bandeira do PTFoto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Em Brasília, o ato começou às 10h Foto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Um balão de Dilma foi levado para o protesto em Brasília Foto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Em Brasília, teve manifestante que se fantasiou... Foto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

... e outros que subiram no poste Foto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Em São Paulo, o ato é realizado na Avenida PaulistaFoto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Manifestantes ocupam a avenida, que fica fechada aos domingosFoto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Em São Paulo, manifestantes fazem ‘panelaço’ Foto: Sérgio Roxo

O ex-presidente Lula também foi alvo das críticas do protesto na PaulistaFoto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Ato em São Paulo é pacíficoFoto: Fernando Donasci / Agência O Globo

Em Belém, manifestantes que defendem o governo Dilma falaram do alto de um carro da CUT no mesmo local onde havia o ato pró-impeachment Foto: Reprodução/TVG

Em Recife, os manifestantes se concentraram no Marco Zero, um dos principais pontos turísticos da capital pernambucanaFoto: Reprodução TV Globo

Em Curitiba, o ato começou na Praça Santos Andrade, passou pela Rua Marechal Deodoro, que chegou a ser fechada, e acabou na Boca Maldita, no Centro. Segundo a PM, o protesto reuniu 10 mil pessoas. A organização falou em 35 mil. Em Belo Horizonte, três mil pessoas se reuniram na Praça da Liberdade por cerca de duas horas. Os manifestantes carregaram uma grande bandeira de Minas Gerais, além de cartazes com dizeres como “Golpe é censurar a imprensa”.

Também houve manifestações em Goiânia, onde 4 mil pessoas se reuniram na Praça Tamandaré e percorreram 3,5 km. Em Maceió, o protesto foi na orla e contou com 1,5 mil pessoas, entre elas políticos do PSDB local. Foram colhidas assinaturas para a petição de um projeto de lei de iniciativa popular contra a corrupção. Em Florianópolis, o ato, na Avenida Beira-Mar Norte, foi batizado de “Esquenta para o Impeachment”. Participaram 1,2 mil pessoas.

Nas redes sociais, houve equilíbrio entre as hashtags #naovaitergolpe e #vemprarua, que ficaram praticamente empatadas ao longo do dia. Um vídeo do ator Alexandre Frota na passeata em São Paulo viralizou: defendendo o impeachment, ele afirmou que o Brasil está “muito viadinho” e precisando de ações mais “casca grossa”.

30 MIL NA PAULISTA

Em São Paulo, cidade que foi palco das maiores manifestações contra o governo federal este ano, o protesto de domingo também teve redução de público. A Secretaria estadual de Segurança Pública estima que 30 mil pessoas estiveram na Avenida Paulista, 320 mil a menos que na manifestação de agosto. Mas líderes dos movimentos e políticos de oposição minimizaram a diminuição na participação e disseram acreditar que isso não significa um esvaziamento da luta pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. Já os petistas comemoraram.

Líder do movimento que reuniu o maior público, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, acredita que cem mil pessoas foram à Paulista no domingo. No ato anterior pela impeachment, realizado no dia 16 de agosto, a Polícia Militar estimou 350 mil pessoas. Em 12 de abril, foram 275 mil pessoas. A primeira manifestação do ano, no dia 15 de março, reuniu um milhão.

Os movimentos anunciaram também que, devido à dificuldade de mobilização no período de festas, carnaval e férias, o próximo protesto acontecerá no dia 13 de março.

O protesto de domingo teve novamente como principal bandeira e grito o “fora PT”. Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuaram como foco. O Revoltados Online levou os dois bonecos gigantes dos petistas (Lula vestido de presidiário e Dilma com a inscrição impeachment na faixa presidencial) já usados em outros protestos pelo país. Máscaras de Lula como zumbi também circularam pela Paulista.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apesar de ter tido as denúncias contra ele destacadas em algumas faixas e discursos, ficou em segundo plano. Políticos de oposição, como os senadores José Serra (PSDB-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que em outros atos em São Paulo se limitaram a participar no meio do público, desta vez discursaram pelo impeachment.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que paralisou a tramitação do impeachment na Câmara, também passou a ser alvo. Uma faixa o chamava de “advogado do PT”. Já um outro integrante do Judiciário, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, foi celebrado. O movimento Revoltados Online vendeu cerca de 300 bonecos infláveis do “Super Moro”.

— Moro está combatendo a corrupção. É um símbolo do nosso país — disse o médico Everaldo Ramos de França, de 70 anos, que pagou R$ 10 por um boneco do magistrado.

“NÃO VAI TER GOLPE”

Os políticos destacaram, em seus discursos, que o processo de impeachment segue a lei.

— Estou aqui para dizer que não vai ter golpe, vai ter impeachment. Queremos pôr fim a um governo que não deveria ter começado — discursou o senador Aloysio, que estava com o rosto pintado de verde, amarelo e azul.

Chequer, do Vem Pra Rua, acredita que o tempo de mobilização (nove dias) menor do que o de outros protestos causou a queda do público:

— Isso não significa que haja qualquer tipo de esvaziamento da vontade popular.

Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre (MBL), revelou que o grupo pretende adotar outros tipos de manifestação, como reuniões em aeroportos, para pressionar deputados com posição indefinida sobre o impeachment, nos seus deslocamentos para Brasília:

— A ideia de hoje era ser só uma sinalização de que o povo está voltando às ruas.

Para o presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, a redução da participação indica desilusão:

— Aos poucos as pessoas vão percebendo o caráter antidemocrático desse movimento.

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